“Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e toda a tua família.” Estas palavras, dirigidas por Paulo e Silas ao carcereiro, mostram-nos que a fé que nutrimos é o ponto de partida para alcançarmos a salvação, tanto para nós quanto para os nossos irmãos. Como sabemos, para que Jesus possa agir em nossa vida, precisamos cultivar em nosso coração essa virtude tão preciosa, pois ela nos revela a importância de confiarmos toda a nossa existência aos cuidados divinos.
Certamente, se ao longo do dia de hoje qualquer pessoa nos perguntasse se temos fé, responderíamos sem titubear que sim. Todavia, é preciso ter clareza de que aquilo que o Senhor espera de nós não é apenas uma fé carregada de palavras vazias, mas um compromisso concreto com a realidade proposta pelo Evangelho. O carcereiro que contemplamos na primeira leitura de hoje mostra-nos que o encontro com Jesus exige de nós uma experiência que supera o comodismo e nos impulsiona a uma mudança de vida. Uma atitude que, muitas vezes, não será a mais cômoda, mas que precisa ser assumida se realmente desejamos nos unir a Deus.
Dentro deste trecho narrado pelo livro dos Atos dos Apóstolos, vemos que, após o terremoto, um grande desespero toma conta daquele homem, pois ele acreditava que os prisioneiros pelos quais era responsável haviam fugido. Contudo, diante da docilidade dos “detentos”, aquele homem, antes dominado pelo medo, toma em suas mãos uma tocha (cf. At 16,29), símbolo da fé que ilumina a vida daqueles que creem. É justamente por essa razão que o carcereiro é inserido, junto com toda a sua família, no Corpo Místico da Igreja.
Essa luz, que representa a fé, faz-nos perceber diversas realidades escondidas, as quais, com o nosso olhar puramente humano, não somos capazes de contemplar. Entretanto, quando colocamos os “óculos” da fé, compreendemos que o nosso ser necessita de algo que ultrapassa o meramente palpável. É belo perceber que, logo após ouvir a Palavra proclamada por Paulo e Silas, o carcereiro assume uma nova postura em sua vida: aquele que antes aprisionava agora se torna cuidador das feridas daqueles homens justos.
Nossa atitude não pode ser diferente da atitude desse homem. Todos os dias temos a oportunidade de ouvir a Palavra de Deus, mas de nada adianta escutá-la se não nos deixarmos transformar por ela. O carcereiro acolheu a mensagem da salvação para si e para os seus familiares. Certamente, ele poderia ter omitido tamanha riqueza e por isso, desejou que também aqueles que amava tivessem a oportunidade de encontrar-se com Cristo.
Tal postura nos alerta para a necessidade de assumirmos, em nossas famílias, o papel de testemunhas da salvação. Não podemos permanecer inertes ao vermos aqueles que amamos viverem sem conhecer a verdade que brota do coração do Senhor. Precisamos ajudá-los a avançar na busca por uma vida com verdadeiro sentido. Ainda que essa missão não seja fácil, é necessário confiar sempre na presença do Espírito Santo, que vem em socorro de nossa fraqueza e revela tudo aquilo que permanece oculto, como vemos no Evangelho de hoje.
Assim, queremos transformar essa Palavra em oração, rezando: Senhor, que o nosso testemunho possa iluminar a vida de tantos que padecem na escuridão deste mundo. Há muitos que vivem como ovelhas sem pastor, presos às suas próprias amarras, queremos assim vos pedir, que nossa mensagem seja sempre de libertação, para que todos possam ter a bela oportunidade de se encontrar convosco. Fazei que não tenhamos medo das perseguições, para que a luz do Evangelho possa brilhar em todas as partes do mundo. Amém.
Seminarista Rômulo