Cornélio foi ordenado bispo da Igreja de Roma no ano 251. Teve de combater o cisma dos Novacianos e, com a ajuda de São Cipriano, conseguiu consolidar a sua autoridade. Foi desterrado pelo imperador Galo e morreu no exílio, no ano 253. O seu corpo foi trasladado para Roma e sepultado no cemitério de Calisto.
Cipriano nasceu em Cartago cerca do ano 210, de família pagã. Tendo-se convertido à fé e, ordenado sacerdote, foi eleito bispo daquela cidade no ano 29. Em tempos muito difíceis, governou sabiamente, com suas obras e escritos, a Igreja que lhe foi confiada. Na perseguição de Valeriano, sofreu primeiramente o exílio e depois o martírio no dia 14 de setembro do ano 258.
Leituras: 1Cor 12,31-13,13; Sl 32(33); Lc 7,31-35.
- Na primeira leitura, da primeira Carta aos Coríntios, vemos Paulo inserir o chamado "Hino do amor" no centro dos capítulos dedicados à relação entre carismas e ministérios. Este hino é, sem dúvida, uma das mais belas páginas das suas cartas e, talvez, de todo o Novo Testamento. O Apóstolo apresenta, em primeiro lugar, o amor como o maior carisma, como o melhor caminho. Mas o "Hino do amor" não é uma saída espiritual evasiva. Paulo o insere no concreto de uma vida cristã pessoal e comunitária, que, além de um fundamento, precisa de um centro. É preciso aprender a amar como Deus ama: pelos mesmos motivos, com a mesma intensidade, de modo linear e incondicionado, com uma carga afetiva inesgotável. Em segundo lugar, os cristãos devem amar como Cristo ama: em total disponibilidade pessoal, em total abertura aos outros, no desejo de caminhar juntos. O amor cristão, ou caridade, por sua natureza, está indissoluvelmente ligado à fé e à esperança. Mas, em relação às outras duas virtudes teologais, o amor é claramente superior, devido à sua origem divina, pela sua carga cristológica e por estar destinado à comunidade. Que belo ideal de vida cristã nos apresenta o Apóstolo.
- No Evangelho, Lucas sublinha a simpatia com que o povo simples acolhe Jesus, em contraste com a atitude dos fariseus e doutores da lei. Jesus usa uma comparação que deixa transparecer o seu duro juízo acerca dos seus contemporâneos. A pergunta inicial é certamente retórica. Não se refere a todos os contemporâneos de Jesus, mas apenas àqueles que, não tendo prestado atenção ao Precursor, também agora O não querem ouvir. Essas pessoas são como as crianças que se recusam a participar tanto na alegria dos casamentos como na tristeza dos funerais. Parece tratar-se da obstinação com que alguns Judeus recusaram a Palavra de Deus, personificada em Jesus. Revelam um coração impermeável a todo e qualquer convite à penitência e à conversão. Dão desculpas fáceis que revelam uma mentalidade fechada e unicamente capaz de condenar sem piedade. A expressão final relativa à sabedoria que foi justificada “por todos os seus filhos” nos leva a pensar noutra categoria de pessoas diametralmente oposta: aqueles que buscam a verdade e que se deixam interpelar por toda a verdadeira pregação, abrindo-se ao espírito de Deus que atua nas palavras e nas obras de Jesus. Assim devemos ser nós.
- Para refletir: Tenho vivido um amor de entrega total, na imitação e no seguimento de Jesus Cristo? Busca a verdade, aprofundando o conhecimento e a vivência da Palavra de Deus? Deixo o Espírito Santo agir em mim? Traduzo o amor a Deus na alegria em servir aos meus irmãos e irmãs?...
Oração
Senhor,
liberta-nos, de um coração endurecido,
de um coração semelhante ao dos fariseus e doutores da lei,
fechados nos seus preconceitos e na sua presunção,
cegos pelo poder, pelas ambições e pelo orgulho.
Abre o nosso coração à tua luz!
Então, a nossa inteligência, ativada no amor,
poderá remover os obstáculos que a bloqueiam
no seu egoísmo, e a nossa vontade
poderá orientar-se para Ti,
sem se perder atrás de medos injustificados.
Dá-nos, Senhor, um coração simples!
Não seremos, desse modo, comparados a crianças caprichosas
que recusam todo o convite.
Seremos, sim, como crianças corajosas,
capazes de nos aventurar pelo mundo das tuas maravilhas,
encantados com o teu amor misterioso e surpreendente.
Dá-nos, Senhor, um coração semelhante ao teu,
para que possamos conhecer os teus pensamentos,
partilhar os teus projetos,
percorrer os teus caminhos.
Amém.
Pe. Marcelo Moreira Santiago