Neste dia 21 de janeiro, nossa Igreja celebra a memória de Santa Inês, virgem e mártir. Seu testemunho de vida, fiel e inteiramente consagrada a Deus, nos inspira profundamente. Desde muito jovem, Santa Inês demonstrou uma valentia impressionante e uma confiança total no Senhor. Seu próprio nome, Inês, que em latim (Agnes) significa cordeiro, simboliza sua união com Cristo, em uma entrega inocente e pura para a salvação de muitos. Ela nos ensina que a verdadeira força da fé não depende da idade, mas da radicalidade com que nos entregamos a Deus.
A Liturgia da Palavra de hoje se harmoniza de maneira providencial com o exemplo de Santa Inês, oferecendo-nos reflexões sobre fé, coragem e o amor libertador de Deus.
Na Primeira Leitura, continuamos a acompanhar a fascinante história de Davi. Após o descumprimento de Saul, chega o momento da eleição de um novo rei. Davi, um jovem pastor, é chamado para uma difícil tarefa: enfrentar o gigante filisteu Golias, que representava uma ameaça colossal para o povo de Israel. A história nos é familiar: a diferença de estatura e de força física era assustadora. No entanto, o que esse episódio nos revela é que, para superar os grandes desafios da nossa vida, não precisamos apenas de força física ou de recursos materiais. A verdadeira força está na fé inabalável e na inteligência colocada a serviço de Deus. Enquanto a arrogância do filisteu se choca com a fé e a aparente fragilidade de Davi, percebemos que Deus age por caminhos que não são os nossos, utilizando o que para o mundo parece fraco para manifestar o Seu poder. O Salmo que segue ecoa essa verdade, proclamando que "o Senhor é o nosso refúgio e fortaleza", reforçando a confiança que devemos ter em Deus diante de qualquer adversidade.
No Evangelho, somos testemunhas de um episódio marcante da ação de Jesus: a cura do homem com a mão seca. Mais uma vez, Jesus realiza uma maravilha que vai além do simples aspecto físico. A cura de uma mão, que é usada para trabalhar, para o sustento e para a dignidade do homem, simboliza uma ação libertadora profunda e completa. No entanto, e mais uma vez, Jesus enfrenta a dura crítica daqueles que liam a lei estritamente, com uma interpretação que não ia ao coração da questão, nem ao coração de Deus. Eles estavam mais preocupados em manter regras externas do que em salvar uma vida ou em manifestar a misericórdia divina.
Jesus, então, desafia abertamente essa visão estreita e, ao não abrir mão de sua ação libertadora em favor do homem, começa a ser perseguido. Seus inimigos, ao invés de se abrirem para a novidade do amor e da misericórdia que Jesus trazia, fecham-se em si mesmos e começam a se organizar para prejudicá-Lo. É um triste retrato de como a rigidez e a falta de caridade podem cegar os corações, mesmo diante da manifestação clara da vontade de Deus.
Assim, neste dia de Santa Inês, somos convidados a unir esses preciosos ensinamentos. Que o testemunho de fé e a entrega de Santa Inês nos inspirem a viver com coragem e pureza de coração. Que a história de Davi nos ensine a confiar na força de Deus, que se manifesta em nossa fragilidade, para enfrentarmos os "gigantes" de nossa vida. E que o Evangelho nos estimule a abraçar a ação libertadora de Jesus, priorizando sempre a vida, a misericórdia e o amor acima de todas as regras e formalidades. Que nunca nos fechemos à novidade do Espírito, mas que tenhamos a sabedoria de buscar o verdadeiro sentido da Lei, que é o amor a Deus e ao próximo.
Pe. Thiago José Gomes